Tuesday, March 13, 2007

Ausência de cor

A mulher, sentada em frente ao homem, não sabia o que fazer com o presente que pendia de seus dedos.
- Gostou? – perguntava ele com os olhos dos mais suplicantes.
Num misto de altivez e pena, a mulher apenas sorria, sem saber o que dizer.
- É pra você.
Ela sabia. Mas realmente não tinha o que dizer. Falar o quê, quando não se ama? Quando prefere uma cama a duas escovas?
Devolveu o olhar ao homem ajoelhado e apertou-lhe, angustiada, a mão, sentindo com suavidade o toque da pele áspera.
Como se diz assim: quero ficar só? Prefiro eu a nós?
“Não quero mais arrastar esse peso da gente nas minhas costas.”
Foi o que pensou, mas só conseguiu arrumar uma mecha do cabelo dele que pendia, suada, do meio da testa.
Mas tinham sido dois já fazia era tempo. E ele entendeu.
Levantou-se, passou a mão pelo queixo dela e se despediu sem olhar pra trás. Como Lot.
Perdeu-se ela por entre pensamentos, procurando segurar-se em sentimentos felizes. Como
Wendy?
Mas era tarde. Ouviu a porta batendo e, instintivamente, correu pra janela.
Do lado de baixo, ele cambaleava. Sem conseguir manter uma linha reta, caiu arbóreo ao chão.
Na janela, a moça, conformada, mirava nostálgica o coração ainda quente em suas mãos.

14 Comments:

Anonymous Ordisi said...

O Dr. Zerbini ia lhe invejar, caro amigo.

Muito bom.

Abraços taquicardíacos.

7:09 PM  
Blogger Malditos Textos Brasileiros said...

excelente blog, quando aprender a colocar link, certeza que o teu estará no meio, sobre o conto Aventuras Sexuais Frustradas quem já não viveu algo parecido, he he he.

8:39 PM  
Anonymous Thiago de Góes said...

mermão, eu vou comprar teu livro!

10:10 AM  
Anonymous Anonymous said...

Massa.


http://domquixote.multiply.com

12:46 PM  
Blogger AnMi Potyra said...

Muito forte isso... muito forte mesmo.
Escrevi algo de "um fim de relacionamento", não chega a ser tão bom quanto o seu, mas posso dizer que pelo que senti é tão forte quanto. Está sob o título "sem entender", foi a última coisa que escrevi...

6:44 PM  
Anonymous Ro Druhens said...

Belo, Baby, adjetivo recorrente qdo se trata daquilo que brota dos seus dedos calejados de vida e poesia. Lembra, de longe, a Colassanti. Saudosos beijos.
(não consigo mais entrar no blogspot, assim, foi tudo pro espaço)

7:50 AM  
Anonymous Anonymous said...

Vou copiar o final no meu perfil, hehe


http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=8329623017473130407

vc escreve mto bem

3:38 PM  
Anonymous Anonymous said...

Vou copiar o final no meu perfil, hehe


http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=8329623017473130407

vc escreve mto bem

3:38 PM  
Anonymous moacircaetano said...

Que bonito, rapaz!

6:05 PM  
Blogger Caroline said...

Bom, muito bom. Isso é que são pérolas aos porcos. Visite o meu, não sou profissional mas deixa eu me iludir! perolasaosporcos é de poesia e sambandonalama é idiota.
Espero sua visita.

5:53 AM  
Blogger Caroline said...

Obrigada, pode deixar apareço sim...

5:11 AM  
Blogger Caroline said...

1 - Esse seu texto é muito forte, dói pra quem passou por isso. E é isso que a gente tem vontade de fazer, cair arbóreos ao chão.
Escrita fluente, final inesperado e fantástico, assunto universal e individual. Bom, muito bom.
2 - Eu me interessei po malditos textos brasileiros e não consigo acessar, então "MALDITOS TEXTOS" peço a sua visita...

5:34 AM  
Blogger MilaF said...

Wooooooooooooooooooooow.

7:31 PM  
Blogger Fernanda Passos said...

Lindooooooooooooooooooooooooooooooooo
tu é demais cara!

10:25 AM  

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